Levantamento revela que 70% dos estudantes formados pela Faop estão em atuação no mercado de trabalho

Um projeto desenvolvido pela Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop) traçou o perfil e a inserção profissional de ex-alunos do Curso Técnico em Conservação e Restauro da Faop. A iniciativa levantou dados sobre a trajetória de quem passou pela formação desde 2002, ano em que o curso técnico da Fundação foi reconhecido pelo Ministério da Educação. O estudo concluiu que 70,3% dos egressos entrevistados estão atuando profissionalmente nas áreas de Conservação e Restauro.

O estudo surgiu da necessidade de atualizar as informações do Núcleo de Conservação e Restauro e contou com apoio direto de setores da Casa Bernardo Guimarães, sede administrativa da Faop. Para viabilizar a pesquisa, a equipe administrativa e a secretaria realizaram o levantamento de contatos que não estavam digitalizados, enquanto o setor de Tecnologia da Informação atuou na estruturação do formulário e o setor pedagógico colaborou na definição das perguntas.

De acordo com Ana Paula Mendes, técnica responsável pelo projeto e mestranda do Mestrado Profissional em Preservação do Patrimônio Cultural do IPHAN, o mapeamento integra as atividades práticas desenvolvidas no âmbito do mestrado e tem como objetivo produzir um diagnóstico que ajude a compreender a trajetória dos profissionais após a formação.”É fundamental entender quem a escola está formando, como esses profissionais estão atuando hoje, onde estão e com quais dificuldades se depararam ao tentar entrar no mercado. O olhar de quem já passou pelo curso é insubstituível, são eles que nos dizem o que funcionou, o que faltou e o que precisa ser atualizado. Essas informações são o que permitem ao setor pedagógico aprimorar o curso e mantê-lo vivo e relevante. Os números são animadores: 70% dos egressos estão atuando diretamente na área, em diferentes estados do Brasil e até no exterior, preservando bens culturais que não têm substituto. Isso mostra que a formação da Faop tem peso e tem alcance”, explica.

A coleta de informações foi feita por meio de um questionário eletrônico enviado aos e-mails cadastrados, por mensagens via celular e por busca ativa. O universo de pesquisa compreendia 436 egressos, desses, 183 responderam ao questionário, o que corresponde a uma taxa de resposta de 41,97%.

Dados

O estudo levantou que os técnicos formados pela Faop atuam principalmente em Minas Gerais, mas estão em atuação em outros 14 estados brasileiros. Há, também, a presença de egressos em contexto internacional, com registros de residência em localidades como Portugal (Porto), Espanha (Allariz) e Itália (Florença), o que indica a circulação do conhecimento técnico produzido pela Faop para além do território nacional.

No que diz respeito ao nível de escolaridade, observa-se que a maioria dos egressos apresenta formação acadêmica em níveis superiores. Dentre os que responderam o questionário, 72 profissionais possuem graduação concluída, seguidos por aqueles com especialização (39) e mestrado (35). Há ainda registros de doutorado (7), além de egressos com formação técnica (13), graduação em andamento (13) e ensino médio (4). 

O estudo ainda revela que a maioria dos profissionais formados pela Faop exercem trabalho autônomo (29,2%), seguido pelos contratados por empresas (27,4%), dos que atuam no serviço público (21,7%) e dos que atuam em instituições como igrejas e museus (19,8%).

A diretora da Escola de Arte da Faop, Gabriela Rangel, destaca que os números são reflexo da seriedade do trabalho da instituição e afirma que recebe o levantamento com grande satisfação, pois ele concretiza a solidez da formação oferecida pela Faop. “Esse resultado mostra que a formação da Faop não se encerra na sala de aula, mas se desdobra na continuidade das ações dos profissionais formados, hoje atuando nas áreas da conservação-restauração. É muito gratificante saber que, em diversos estados do Brasil e também no exterior, há profissionais levando o nome da Faop e contribuindo diretamente para a preservação dos diversos legados e patrimônios culturais. Esse estudo nos motiva a seguir aprimorando nossos processos formativos, fortalecendo ainda mais nossa atuação e buscando alcançar novos horizontes”, afirma.